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Donde no puedas amar no te demores... |
Sai, corre logo. Afasta-te das
ventanias cruéis que ameaçam revirar-te a vida e os sonhos pelo avesso. Aqueles
pedaços de histórias rotas e cerzidas, atiradas no cesto de roupas de sorrir —
e que já usaste tantas vezes em festas enxovalhadas. Foge das tempestades. Das
estradas sem rumo. Das folhas ressequidas, espalhadas em terrenos áridos e
desconexos.
Rejeita os lábios que não beijam mais e
dos quais escorre apenas amargura, fel e impropérios. Sim. Tranca a porta, os
ouvidos, a sensatez e vira as costas sem remorsos para tudo o que te causa mal
e tristezas. Teus dias pinta-os com aquarelas leves e doces, mescladas a tons
pastel.
Se porventura entrares num bar escuro e sujo e perceberes que os frequentadores flertam somente com o álcool mantendo o rosto duro, impassível e macilento. Os olhos de pedra fosca cravados no fundo do copo, no qual mágoas flutuam sobre escassas pedras de gelo, não te aproximes. Abandona o recinto. Pois aí não há amor. Somente amarguras e nostalgias graves e empoeiradas