terça-feira, 10 de março de 2015

Entenda a Operação Lava Jato, da Polícia Federal




Com início em um posto de gasolina –de onde surgiu seu nome–, a Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014, investiga um grande esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras do país e políticos.
Uma das primeiras prisões foi a do doleiro Alberto Youssef, 47. Criado em Londrina, foi vendedor de pastel e contrabandista de eletrônicos do Paraguai antes de virar doleiro. Foi preso nove vezes. Uma delas, pela participação no chamado caso Banestado, maior escândalo já investigado no Brasil sobre remessas ilegais de dinheiro.
Três dias depois, houve a prisão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras. Costa era investigado pelo Ministério Público Federal por supostas irregularidades na compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. Ele passou a ser investigado pela PF após ganhar, em março de 2013, um carro de luxo de Youssef.
Após as prisões, uma série de vínculos entre o doleiro, o ex-diretor da Petrobras, empreiteiras e políticos é revelada. O primeiro a ser atingido é o deputado federal André Vargas (ex-PT-SP) que, como a Folha revelou, pegou carona de jatinho com Youssef.
Tanto Costa quanto Youssef assinaram com o Ministério Público Federal acordos de delação premiada para explicar detalhes do esquema e receber, em contrapartida, alívio das penas.
Em seu depoimento, o ex-diretor da Petrobras afirmou que havia um esquema de pagamento de propina em obras da estatal, e que o dinheiro abastecia o caixa de partidos como PT, PMDB e PP.
Em novembro de 2014, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Lava Jato, que envolveu buscas em grandes empreiteiras como a Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht e outras sete companhias.
As denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal foram acatadas e a Justiça Federal tornou réus 39 pessoas.
O juiz federal do Paraná Sérgio Moro é responsável pelas ações penais decorrentes da Lava Jato nos casos que não envolvem políticos –que possuem foro privilegiado e, por isso, são investigados pelo STF. O magistrado é referência no julgamento de crimes financeiros.
Nesse contexto de pressões da operação e de dificuldades para estimar os prejuízos da corrupção à Petrobras, a presidente da empresa, Graça Foster, e outros cinco diretores são demitidos. Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, assume a presidência da estatal.
Em janeiro de 2015, uma nova fase da operação é deflagrada e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, é levado a depor na Polícia Federal. São 62 pedidos de prisões preventivas, temporárias e coercitivas e de busca e apreensão.
Ainda em janeiro, a Justiça Federal do Paraná começa a ouvir os primeiros depoimentos de testemunhas de acusação: Paulo Roberto Costa, os executivos ligados à Toyo Setal, Venina Velosa Fonseca, funcionária da Petrobras que afirmou às autoridades ter avisado a então presidente da estatal Graça Foster sobre as irregularidades na petrolífera, entre outros. A Justiça do Paraná, além de divulgar publicamente os novos depoimentos, passou também a revelar trechos das delações premiadas –com exceção dos que envolvem políticos, que só podem ser divulgados pelo STF.
Entre as principais informações estão a de que o ex-ministro José Dirceu, preso no escândalo do mensalão, também estaria envolvido no esquema da Petrobras; que Youssef teria repassado R$ 800 mil em propina ao PT; e uma planilha do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco que detalha o pagamento de R$ 1,2 bi (em valores atualizados pelo IPCA) em suborno ao PT, Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e ao próprio Barusco.
No dia 3 de março de 2015, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma lista com 28 pedidos de inquéritos de políticos envolvidos com o esquema de corrupção na Petrobras.
Relator dos processos relativos à Operação Lava Jato no STF, o ministro Teori Zavascki autorizou a abertura de investigação contra políticos de ao menos cinco partidos: PT, PSDB, PMDB, PP e PTB. Ele também tirou o sigilo dos 28 pedidos de abertura de inquérito e acatou sete pedidos de arquivamento.
A lista de investigados inclui 50 nomes, entre eles os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Editoria de Arte/Folhapress
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CRONOLOGIA

2014

17.mar
Polícia Federal deflagra a Operação Lava Jato em seis Estados e no DF. São apreendidos R$ 5 milhões em dinheiro, 25 carros de luxo, joias, quadros e armas. Dezessete pessoas são presas, entre elas, Alberto Youssef, doleiro suspeito de comandar o esquema
20.mar
Diretor de abastecimento da Petrobras de 2004 a 2012, Paulo Roberto Costa é preso pela PF sob a suspeita de destruir e ocultar documentos. Costa passou a ser investigado após ganhar, em março do ano passado, um carro de luxo do doleiro Alberto Youssef, apontado como um dos líderes do esquema

22.mar
Folha revela que Youssef disse ter recebido 12 milhões da empreiteira Camargo Corrêa, sem detalhar se o valor era em dólar ou real. A informação constava de diálogo de 13.out.13 interceptado pela PF
27.mar
Folha revela que um diretor do Ministério da Saúde é suspeito de ter ajudado a Labogen, empresa controlada por Youssef, a firmar parceria de R$ 31 milhões com a pasta para a produção de medicamentos. A parceria foi suspensa, sem que qualquer valor tivesse sido pago, após o caso vir à tona
1º.abr
Folha revela que o então vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), usou um jatinho emprestado por Youssef para fazer uma viagem de férias com a família. Na ocasião, Vargas afirmou ter pago pelo combustível

Beto Barata - 2.abr.2014/Folhapress
O deputado André Vargas no plenário da Câmara
O deputado André Vargas no plenário da Câmara
3.abr
Sócio de Youssef afirma que o contrato da Labogen com o Ministério da Saúde foi obtido graças à influência de André Vargas
5.abr
Laudo da PF obtido pela Folha mostra que nove fornecedores da Petrobras depositaram R$ 34,7 milhões na conta de uma empresa de fachada controlada por Youssef. Parte desses fornecedores têm contratos na refinaria de Abreu e Lima (PE)
7.abr
Alegando ser vítima de um "massacre midiático", Vargas se licencia do mandato na Câmara
8.abr
Folha revela que a Jaraguá Equipamentos, uma das empresas investigadas na Operação Lava Jato, doou R$ 4,5 milhões ao diretório nacional do PT entre 2010 e 2012
9.abr
Vargas renuncia ao cargo de vice-presidente da Câmara. Conselho de Ética da Casa abre processo de cassação contra o deputado
11.abr
Em um desdobramento da Operação Lava Jato, PF amplia investigações sobre negócios suspeitos da Petrobras e faz operação de busca e apreensão na sede da estatal, no Rio
12.abr
Planilha apreendida pela PF na casa de Paulo Roberto Costa levanta a suspeita de que ex-diretor intermediava repasses de empreiteiras para políticos
15.abr
PF indicia Costa, Youssef e outros 44 na Operação Lava Jato
18.abr
Planilha apreendida no escritório de Youssef registra repasse de R$ 31 milhões por dois consórcios e uma empresa a firmas controladas pelo doleiro
23.abr
Justiça aceita denúncia contra Youssef e seis investigados na Operação Lava Jato
25.abr
Justiça aceita denúncia contra Paulo Roberto Costa por suspeitas de desvios de recursos da refinaria Abreu e Lima (PE)
5.mai
Investigação da PF aponta que Youssef também fez favores a outro deputado federal, Luiz Argôlo (SDD-BA)
8.mai
Justiça autoriza a quebra do sigilo bancário da Petrobras nas operações envolvendo contratos da refinaria Abreu e Lima. Há suspeita de desvios de verba pública. Também foi decretada quebra de sigilo de Paulo Roberto Costa

Dorivan Marinho - 7.nov.2014/Midas Press/Folhapress
Refinaria Abreu e Lima, em PE, obra da Petrobras com suspeita de superfaturamento
Refinaria Abreu e Lima, em PE, obra da Petrobras com suspeita de superfaturamento
14.mai
Sob controle de aliados do Planalto, CPI da Petrobras é instalada no Senado
15.mai
Conselho de Ética da Câmara instaura processos para cassar Luiz Argôlo (SDD-BA)
19.mai
Por decisão do ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), Paulo Roberto Costa é solto
28.mai
Após pressões da oposição, é criada a CPI mista (com participação de deputados e senadores) da Petrobras. Vital do Rêgo (PMDB-PB) é o presidente da comissão
1.jun
Na única entrevista que deu após sua primeira prisão, à Folha, Costa negou que houvesse superfaturamento e suborno em contratos da Petrobras
10.jun
Paulo Roberto Costa depõe na CPI do Senado e nega suspeitas de corrupção na estatal: "Repudio com veemência que a [Petrobras] era organização criminosa. [A Petrobras] não era balcão de negócios. Não existe lavagem de dinheiro da Petrobras"
11.jun
Justiça volta a decretar a prisão de Paulo Roberto Costa por ele ter ocultado que controlava contas na Suíça com saldo de US$ 23 milhões. O dinheiro foi bloqueado pelas autoridades do país europeu
14.jun
Empresas que têm contratos com a Petrobras, como a Sanko Sider e a OAS, fizeram depósitos em conta na Suíça controlada pelo doleiro Alberto Youssef, segundo documentos apreendidos pela PF
3.jul
Justiça encaminha ao STF provas que apontam relação entre Youssef e o senador Fernando Collor (PTB-AL), que teria recebido dinheiro do doleiro

Reprodução
O doleiro Alberto Youssef na carceragem da PF em Curitiba
O doleiro Alberto Youssef na carceragem da PF em Curitiba
15.jul
Youssef vira réu numa nova ação penal, sob acusação de ter ajudado o deputado José Janene (PP-PR), réu do mensalão morto em 2010, a dar uma aparência legal a parte dos recursos que o parlamentar recebeu do esquema
25.jul
Cardiopata, Youssef sofre um infarto na prisão e é levado ao hospital, onde é internado na UTI
22.ago
Após a PF fazer operações de busca em empresas de sua filha, Paulo Roberto Costa aceita fechar acordo de delação premiada com procuradores que atuam na Operação Lava Jato para deixar a prisão
6.set
Em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa afirma que 12 senadores, 49 deputados federais e pelo menos um governador receberam dinheiro desviado da estatal, segundo apuração da Folha. O ex-diretor da Petrobras apontou políticos de três partidos: PT, PMDB e PP. Um dos citados no depoimento é o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto
Segundo a revista "Veja", Paulo Roberto Costa cita pelo menos 25 deputados federais, 6 senadores, 3 governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos (PT, PMDB e PP), que teriam tirado proveito de parte do dinheiro desviado dos cofres da Petrobras

Editoria de Arte/Folhapress
13.set
Segundo a revista "Istoé", Costa citou, em seu depoimento, o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Francisco Dornelles (PP-RJ) e o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ)
20.set
Em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa afirma que o esquema de desvios de recursos na estatal não era exclusividade de sua área, mas ocorria também em outras diretorias da empresa
23.set
Alberto Youssef decide fazer acordo de delação para tentar abrandar sua situação na Justiça. Dois dias depois, presta seu primeiro depoimento
1º.out
Como parte do acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa é solto e volta para sua casa no Rio, onde passa a cumprir prisão domiciliar

Ricardo Borges/Folhapress
Paulo Roberto Costa desembarca no Rio escoltado pela PF
Paulo Roberto Costa desembarca no Rio escoltado pela PF
2.out
Reportagem da Folha mostra que um consórcio liderado pela empreiteira Camargo Corrêa repassou R$ 37,7 milhões a empresas de fachada de Alberto Youssef
8.out
Ex-contadora de Youssef, Meire Poza afirma à CPI mista da Petrobras que o doleiro tinha negócios com o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte. Ela também diz que o presidente do Senado, Renan Calheiros, negociou R$ 25 milhões do Postalis, fundo de pensão dos Correios ligado ao PMDB, para financiar um negócio do doleiro
16.out
Folha revela que Paulo Roberto Costa disse, em seu depoimento, que repassou propina ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra para que ajudasse a esvaziar uma Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar a Petrobras em 2009
24.out
Segundo a revista "Veja", Youssef afirmou em depoimento que Dilma e Lula tinham conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras. A reportagem é divulgada dois dias antes do segundo turno da eleição presidencial
28.out
Executivo Julio Camargo, da empresa Toyo-Setal, fecha acordo de delação premiada com procuradores da Lava Jato
29.out
Conselho de Ética aprova cassação de Luiz Argôlo (SDD-BA)
4.nov
Segundo executivo assina acordo de delação premiada. É Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, também da Toyo-Setal
14.nov
Em mais uma etapa da Lava Jato, Justiça expede 27 mandados de prisão. A ação da PF atinge dez empresas, entre elas gigantes como a Camargo Côrrea e a OAS
Em depoimento, o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto (Toyo-Setal) afirma que havia um "clube da propina" de empreiteiras com a Petrobras, liderado pelo empresário Ricardo Ribeiro Pessoa, sócio da UTC Engenharia.
16.nov
Ministério Público Federal fecha com o grupo Setal o primeiro acordo de delação premiada com empresas envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras
17.nov
A presidente da Petrobras, Graça Foster, anuncia que a estatal estuda criar uma nova diretoria que "garanta o cumprimento da lei"
Em depoimento à PF, o diretor de Óleo e Gás da Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, afirma que aceitou pagar propina ao esquema de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef após ser extorquido pelos dois. Ele disse que o destino do dinheiro foi o PP, o Partido Progressista
José Carlos Cosenza, diretor de Abastecimento que substituiu Paulo Roberto Costa na Petrobras, aparece em depoimento à PF. A suspeita é que ele teria recebido comissões de empresas ligadas à estatal.

Ricardo Borges - 17.nov.14/Folhapress
Os diretores da Petrobras e a presidente da estatal, Graça Foster, concedem entrevista coletiva no Rio de Janeiro
Os diretores da Petrobras e a presidente da estatal, Graça Foster, concedem entrevista coletiva no Rio de Janeiro
18.nov
Cade negocia acordo de leniência com empresa Toyo-Setal. O ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Jorge Hage, afirma que empresas também o procuraram para propostas semelhantes.
Justiça estende a prisão de cinco executivos e do ex-diretor da Petrobras Renato Duque. Outros 11 presos foram liberados. O lobista Fernando Baiano, suspeito de negociar propina para o PMDB, é preso.
19.nov
PF diz que errou ao citar nome de José Carlos Cosenza, diretor de Abastecimento da Petrobras, em depoimentos
25.nov
Alberto Youssef presta seu último depoimento da delação premiada à PF
2.dez
Paulo Roberto Costa depõe à CPI mista da Petrobras em encontro de acareação com o ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. O delator disse que chegou a ficar "enojado" com o que ocorria na estatal e que a corrupção está espalhada pelo país. "O que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro: nas rodovias, ferrovias, nos portos, aeroportos, nas hidrelétricas. Isso acontece no Brasil inteiro. É só pesquisar."
Após a sessão, Costa confidenciou a dois deputados o número de políticos que citou em depoimento. Um dos que ouviu o dado foi Julio Delgado (PSB-MG). "Eu perguntei: como é isso, quantos são?'. Ele me disse que são de 35 a 40 do PP, PMDB e PT."
3.dez
Folha noticia que o executivo da Toyo Setal Augusto Ribeiro de Mendonça Neto afirmou em delação premiada que parte da propina paga para o ex-diretor da Petrobras Renato Duque eram "doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores". O ex-presidente Lula diz que afirmação do empresário é "fantasiosa"
Já Julio Camargo, também da Toyo Setal, afirma em depoimento que diz ter pago R$ 137 milhões em propina, mas nega que tenha feito doações eleitorais como pagamento de propina
Renato Duque é solto pela PF após decisão do STF
8.dez
A revista "Época" revela que José Dirceu recebeu R$ 886 mil da empreiteira Camargo Corrêa, investigada na Operação Lava Jato, por serviços como "análise de aspectos sociológicos e políticos do Brasil", "assessoria na integração dos países da América do Sul" e "palestras e conferências internacionais"
Escritório americano entra com ação coletiva contra Petrobras por violação da lei que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos ao emitir declarações falsas e enganosas e não revelar "a cultura de corrupção dentro da companhia, com um esquema multibilionário de lavagem de dinheiro e subornos desde 2006"
9.dez
PF indicia lobista e 12 executivos de empreiteiras na Operação Lava Jato
10.dez
Câmara dos Deputados cassa o mandato de André Vargas (ex-PT-PR)
11.dez
Procuradoria denuncia 36 pessoas por lavagem de dinheiro, corrupção e formação de organização criminosa em esquema na Petrobras. Segundo a acusação, o cartel de empreiteiras atuou até 14 de novembro deste ano, quando foram presos executivos na Operação Lava Jato. O Ministério Público pede a devolução de R$ 1,5 bilhão aos acusados
12.dez
Jornal "Valor Econômico" revela que uma ex-gerente da diretoria de Abastecimento da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, já havia alertado diretoria da estatal sobre desvios. Fonseca teria enviado e-mails entre 2009 e 2014 para a presidente da empresa, Graça Foster e o atual diretor de Abastacimento, José Carlos Cosenza. Denúncia fragiliza a permanência de Foster no comando da estatal

Reprodução
Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da diretoria de Abastecimento
Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da diretoria de Abastecimento
Justiça Federal do Paraná acolhe denúncias e Yousef e mais oito pessoas tornam-se réus na Operação Lava Jato
15.dez
Procuradoria oferece denúncia contra mais quatro envolvidos na Operação Lava Jato: o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró; o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano; o doleiro Alberto Youssef; e o executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal. Os procuradores pedem que os acusados sejam condenados ao pagamento de cerca de R$ 300 milhões a título de devolução do valor das propinas e de indenização pelos prejuízos causados à Petrobras
Justiça Federal do Paraná acolhe denúncias e mais 10 executivos de duas empreiteiras tornam-se réus –são 19 no total até este momento
16.dez
Em sua terceira nota de esclarecimento, Petrobras diz que Graça Foster só foi alertada pela ex-gerente Venina Velosa da Fonseca em 2014, após ser demitida
Justiça Federal do Paraná aceita denúncias contra mais 17 acusados na Operação Lava Jato, dentre os quais Ricardo Ribeiro Pessoa, sócio-proprietário da UTC Engenharia, e dirigentes da Camargo Corrêa e da Mendes Júnior, algumas das principais empreiteiras do país. São 36 réus no total até este momento
17.dez
Justiça Federal do Paraná aceita mais três denúncias, contra Nestor Cerveró, Julio Camargo e Fernando Baiano. São 39 réus no total até este momento
18.dez
CPI da Petrobras aprova relatório oficial pedindo o indiciamento de 52 pessoas, mas nenhum político
19.dez
O jornal "Estado de S. Paulo" revela lista de 28 políticos citados na delação premiada de Paulo Roberto Costa. Entre os citados, há nomes novos como o do ex-ministro de Dilma e Lula Antonio Palocci. Segundo o jornal, Costa afirmou ter recebido pedido de R$ 2 milhões de Palocci para a campanha presidencial de Dilma
A ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca depõe ao Ministério Público Federal. Segundo seu advogado, Venina apresentou documentos e alegações que confirmam que a presidente da empresa, Graça Foster, sabia das irregularidades na estatal desde 2007.
21.dez
Venina Velosa da Fonseca dá entrevista ao "Fantástico", da rede Globo, em que diz que alertou pessoalmente a presidente da empresa, Graça Foster, sobre irregularidades de que teve conhecimento.

Reprodução/TV Globo
Ex-gerente da Petrobras Venina Velosa diz em entrevista na TV
Ex-gerente da Petrobras Venina Velosa diz em entrevista na TV
22.dez
Folha revela que um e-mail de dezembro de 2008, que circulou na Petrobras, já alertava diretores e gerentes que um cartel funcionava dentro da estatal, com divisão de obras por meio de influência política e de lobistas.

Editoria de Arte/Folhapress
E-mail anônimo já falava em cartel em 2008
E-mail anônimo já falava em cartel em 2008
A presidente da Petrobras, Graça Foster, admite que encontrou Venina, mas diz que não foi omissa. "Venina nunca fez nenhuma denúncia usando as palavras conluio, cartel, corrupção, fraude e lavagem de dinheiro. A Venina nunca fez nenhuma denúncia na diretoria sobre essas questões. Ela nunca falou nesses termos. Eram e-mails truncados, cifrados e muito misturados", disse Graça, em entrevista à Folha e ao jornal "O Globo".
23.dez
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, rejeitou a consulta proposta pela presidente Dilma Rousseff, que queria ter acesso a nomes de investigados na Operação Lava Jato. Assim, ela teve que decidir a formação de sua nova equipe ministerial ser saber que nomes estavam citados no processo.
25.dez
A cidade americana de Providence, capital do Estado de Rhode Island, dá entrada em ação coletiva em favor de investidores que compraram papéis da Petrobras. O processo inclui como réus a presidente da estatal, Graça Foster, outros executivos da empresa, subsidiárias na Holanda e em Luxemburgo e 15 bancos que negociaram papéis da estatal, incluindo o Itaú e o Bradesco.
30.dez
Petrobras suspende negócios com 23 fornecedoras citadas na Lava Jato. Segundo a estatal, elas "serão temporariamente impedidas de serem contratadas e de participarem de licitações da estatal". As fornecedoras são Alusa, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Carioca Engenharia, Construcap, Egesa, Engevix, Fidens, Galvão Engenharia, GDK, Iesa, Jaraguá Equipamentos, Mendes Junior, MPE, OAS, Odebrecht, Promon, Queiroz Galvão, Setal, Skanska, Techint, Tomé Engenharia e UTC

2015

1.jan
Em seu discurso de posse para o segundo mandato presidencial, Dilma Rousseff (PT) dedica parte de sua fala à Petrobras, dizendo que é necessário proteger a estatal de "predadores internos" e "inimigos externos". A presidente da empresa, Graça Foster, esteve presente na cerimônia.
5.jan
Folha revela que uma auditoria interna da Petrobras sobre o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) apontou que a estatal comprou equipamentos antes de definir o modelo de negócio e a estrutura de produção da refinaria, o que gerou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão. Os ex-diretores Renato Duque e Paulo Roberto Costa afirmam que as contratações foram aprovadas em escalões superiores da estatal
7.jan
O deputado federal Eduardo Cunha vira alvo da Procuradoria na Lava Jato e terá uma investigação a seu respeito pedida pelo Ministério Público Federal ao STF. Ele é suspeito de ter recebido dinheiro do esquema por meio do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", que atuaria como um dos funcionários do doleiro Alberto Youssef. Cunha diz ver motivação política no vazamento da informação –ele é candidato na disputa pela presidência da Câmara

Editoria de Arte/Folhapress

8.jan
No mesmo depoimento que envolveu Eduardo Cunha, o policial Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", também citou o senador mineiro Antônio Anastasia (PSDB). O policial disse que entregou R$ 1 milhão ao então candidato a governador a mando do doleiro Alberto Youssef em 2010. Anastasia disse estar indignado e que quer acareação com a Polícia Federal. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), também se pronuncia em defesa do aliado.
13.jan
Petrobras escolhe novo diretor para a área de Governança, Risco e Conformidade, cuja criação foi anunciada por Graça Foster em novembro. O engenheiro João Adalberto Elek Junior, 56, foi eleito em reunião do Conselho de Administração da companhia e terá mandato de três anos, que poderá ser renovado.
14.jan
Ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró é preso pela PF no Rio ao desembarcar de Londres, no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal informou que pediu a prisão preventiva "porque há fortes indícios de que Cerveró continua a praticar crimes, como a ocultação do produto e proveito do crime no exterior, e pela transferência de bens (valores e imóveis) para familiares. Além disso, há evidências de que ele buscará frustrar o cumprimento de penalidades futuras".

Daniel Derevecki - 14.jan.14/Reuters
Nestor Cerveró é escoltado por policial armado na sede do IML em Curitiba
Nestor Cerveró é escoltado por policial armado na sede do IML em Curitiba
20.jan
O deputado federal Eduardo Cunha, candidato à presidência da Câmara, diz ter ouvido de agente que a PF forjou áudio para incriminá-lo
21.jan
São divulgados os termos da delação premiada do doleiro Alberto Youssef. Ele se comprometeu a devolver pelo menos R$ 1,8 milhão em espécie, hotéis e imóveis registrados em seu nome, além de todo o dinheiro encontrado em contas pessoais e de suas empresas em troca do abrandamento de suas penas –que chegarão, ao máximo, a cinco anos
22.jan
O juiz Sergio Moro decreta prisão preventiva do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que já estava encarcerado desde o dia 14. No despacho, ele abre partes da delação de Paulo Roberto Costa, que revela que recebeu US$ 1,5 milhão para não atrapalhar a compra da refinaria de Pasadena –transação cujo prejuízo é estimado em US$ 792 milhões
28.jan
Após dois adiamentos, o balanço do terceiro trimestre da Petrobras é divulgado, que mostra que o lucro da empresa caiu 38% e não inclui as perdas com corrupção. A presidente da empresa, Graça Foster, afirma que a estimativa desses prejuízos é de R$ 88, 6 bilhões. Esse cálculo enfurece a presidente Dilma Rousseff.
1.fev
Em entrevista à Folha, o empresário Leonardo Meirelles, que foi sócio de Alberto Youssef, diz que o doleiro tem patrimônio oculto e sociedades com empreiteiras que não foram declaradas no acordo de delação premiada que fez com procuradores. Segundo o empresário, o doleiro teria de R$ 150 milhões a 200 milhões, e não cerca de R$ 50 milhões, como está no acordo. O adovgado de Youssef refuta as afirmações do ex-sócio.
3.fev
Após meses de resistência, a presidente Dilma Rousseff decide tirar Graça Foster do comando da Petrobras. Em reunião, as duas estabelecem um cronograma de saída de toda a diretoria da estatal.
4.fev
Diferentemente do combinado no dia anterior, Graça Foster e cinco diretores da Petrobras decidem renunciar imediatamente aos cargos.
5.fev
A Polícia Federal deflagra mais uma etapa da Operação Lava Jato. Leva o tesoureiro do PT, João Vaccari, para depor e tenta cumprir 62 mandados -um de prisão preventiva, no Rio, três de temporária, em Santa Catarina, 18 conduções coercitivas e 40 de busca e apreensão. Essa nova fase tem como foco o pagamento de propinas na diretoria de Serviços da Petrobras e na BR Distribuidora.

Lalo de Almeida/Folhapress
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, chega à sede da Policia Federal em São Paulo para prestar depoimento
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, chega à sede da Policia Federal em São Paulo para prestar depoimento
O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), novo presidente da Câmara dos Deputados, autoriza a criação de nova CPI da Petrobras na Casa.
Em depoimento à Justiça Federal do Paraná, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco estima que o PT tenha recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões entre 2003 e 2013 de propina retirada dos 90 maiores contratos da Petrobras. Barusco afirma que o tesoureiro do partido teve "participação" no recebimento desse suborno, ficando com US$ 4,5 milhões.
Barusco também disse ter recebido US$ 1 milhão da Odebrecht, que não tem executivos presos até o momento. Também afirma que recebia suborno na estatal desde 1997, quando o país era governado por Fernando Henrique Carodoso.

Paulo Araújo/Ag. O Dia
O ex-gerente de engenharia da Petrobras Pedro Barusco Filho
O ex-gerente de engenharia da Petrobras Pedro Barusco Filho
6.fev
O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, é escolhido por Dilma Rousseff para substituir Graça Foster na presidência da Petrobras.
No aniversário de 35 anos do PT, a presidente defende a punição a pessoas, e não ao partido. "Devemos preservar a história deste partido e dos nossos governos", disse.
11.fev
O empresário Shinko Nakandakari, suspeito de intermediar o repasse de propina de empreiteiras em obras da Petrobras, fecha acordo de delação premiada com procuradores que atuam no caso
12.fev
Sergio Moro derruba o sigilo de 63 depoimentos das delações premiadas de Youssef e Paulo Roberto Costa.
Em um deles, Youssef diz que repassou R$ 800 mil em propinas ao PT por meio do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. O suborno era resultante de um contrato da Toshiba com a Petrobras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
Outra afirmação do doleiro é a de que o ex-ministro José Dirceu (PT), preso por participação no mensalão, tinha conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras.
Em um depoimento de Paulo Roberto Costa, ele diz que ouviu de um lobista que o ex-deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) recebeu R$ 400 mil de uma empresa chamada Sargeant Marine, que fica na Flórida, nos Estados Unidos.
14.fev
Revista "Veja" revela que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, teve ao menos três encontros com advogados de empreiteiras da Operação Lava Jato. Uma delas, a Odebrecht, recorreu a ele em busca de munição para questionar a legalidade de provas obtidas na Suíça pelos procuradores da Operação Lava Jato

Editoria de arte/ Folhatress

20.fev
Na primeira entrevista de seu segundo mandato, Dilma Rousseff afirma que, se os casos de corrupção na Petrobras tivessem sido investigados na década de 1990, quando o país era governado pelo PSDB, os desvios na estatal poderiam ter sido estancados e não teriam se perpetuado por tanto tempo.
Ministério Público cobra R$ 4,5 bilhões de empreiteiras em ação de improbidade administrativa.
24.fev
Folha revela que o doleiro Alberto Youssef detalhou, em depoimento, esquema de propina que teria rendido R$ 3 milhões ao senador Fernando Collor (PTB-AL).
25.fev
Procuradores federais vão ao TCU (Tribunal de Contas da União) contra acordos de leniência –espécie de delação premiada para empresas– da CGU (Controladoria-Geral da União) na Lava Jato.
Comissão de Ética da Presidência da República decide que o ministro Cardozo deve explicar seus encontros advogados de empreiteiras envolvidas com corrupção na Petrobras
26.fev
Tem início a nova CPI da Petrobras, com a presidência de Hugo Motta (PMDB-PB) e relatoria de Luiz Sérgio (PT-RJ)

Sérgio Lima/Folhapress
Instalação da CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados
Instalação da CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados
28.fev
Documentos encontrados pela Polícia Federal na casa e nos escritórios do empresário Mario Goes, apontado como operador do esquema de corrupção na Petrobras, mostram que ele recebeu R$ 39,6 milhões das empresas Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, OAS, Odebrecht e UTC entre 2006 e 2014.
3.mar
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, remete ao STF (Supremo Tribunal Federal) 28 inquéritos envolvendo 54 pessoas, incluindo políticos, que foram citados em depoimentos da Operação Lava Jato.
6.mar
O ministro Teori Zavascki, relator do caso no STF, aceita a abertura dos inquéritos. Ele também tira o sigilo dos processos, revelando o nome dos 50 investigados. O ministro ainda acatou sete pedidos de arquivamento.


Fonte. Folha de São Paulo

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